terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SONETO XVI, PABLO NERUDA



SONETO XVI
Pablo Neruda




Amo o pedaço de terra que és tu,

porque das campinas planetárias

outra estrela não tenho. Tu repetes

a multiplicação do universo.



Teus amplos olhos são a luz que tenho

das constelações derrotadas,

tua pele palpita como os caminhos.

que percorre na chuva o meteoro.



De tanta luz foram para mim teus quadris,

de todo o sol tua boca profunda e sua delícia,

de tanta luz ardente como o mel na sombra



teu corpo queimado por longos raios rubros,

e assim percorro o fogo de tua forma beijando-te,

pequena e planetária, pomba e geografia.



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DANCE COMIGO



DANCE COMIGO
Nouvelle Vague


Vamos dançar, pequeno estranho,

Mostre-me pecados secretos

Amor pode ser como escravidão

Seduza-me mais uma vez



Queimando como um anjo,

Que foi suspenso do paraíso,

Queimando como o homem voodoo

Com demônios em sua capa



Por que não dança comigo?

No meu mundo da fantasia

Por que não dança comigo?

Ritual da fertilidade



Como um fantasma

Você não parece real

Como uma premonição

De maldições em minha alma



Do jeito que eu quero amá-lo

Bem, poderia ser contra a lei

Eu o tenho visto em milhares de mentes

Você tem feito os anjos caírem



Porque não dança comigo?

No meu mundo da fantasia

Porque não dança comigo?

Ritual da fertilidade



Venha cá pequeno estranho

Há somente mais uma dança

Até a música se acabar

Vamos dar mais uma chance a isso



Por que não dança comigo?

No meu mundo da fantasia

Por que não dança comigo?

Ritual da fertilidade



Aproveite essa chance comigo!

No meu mundo da fantasia

Por que não dança comigo?

Ritual da fertilidade.





sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DA FIDELIDADE



DA FIDELIDADE


Vinicius de Moraes



Há alguma coisa maior que nós mesmos que é a fidelidade a nós mesmos.

Flor espantosa que vive das águas cáusticas e das terras apodrecidas da prodigiosa extensão humana.

É a sua santidade que eu quero fazer nascer destas palavras de ritmo obscuro.

E neste momento mesmo é talvez a sua inocência que eu violento com os meus dedos mártires que a desejariam sangrando.

Ela nasce desse instante supremo em que o homem que viu a verdade sente que a sua simplicidade trágica nada poderá contra ele.

Ele que é como o país que vê a guerra no pássaro de arribação que se pousou da grande viagem sobre o seu pavilhão estendido.

Não existe talvez nada mais belo que a miséria que habita essa alma que nós mostramos como um pavilhão estendido ao pássaro peregrino.

E talvez nada mais horrível que essa guerra que se vê nascer subitamente das entranhas da nossa miséria.

A fidelidade é como o amor da miséria pelo eterno viajante sereno.

É como um homem que à força de contemplar um rio é por sua vez contemplado por ele.

Se é que há um lugar de Deus em cada criatura nada será fidelidade senão a fidelidade à falta de Deus neste lugar.

Aos sentimentos e nunca à verdade porque a verdade é o símbolo do absoluto e o absoluto é a morte do homem.

Ai de mim! talvez eu devesse morrer porque eu digo as palavras da fé com gestos de inteligência.

Fidelidade, lírio, anjo, mar de pureza!



In: "Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas""

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

INQUEBRÁVEL




INQUEBRÁVEL

Westlife


Você pegou minha mão
Tocou meu coração
Segurou-me perto
Você sempre estava lá
Do meu lado
Dia e Noite
Através de tudo
Vem de qualquer forma

Levou algo numa onda de emoção
Fomos capturados nos olhos da tempestade
E sempre que você sorri eu posso acreditar que
você é minha
Acredite que você é minha


Esse amor é inquebrável
É inconfundível
E cada vez que eu olho em seus olhos
Sei por que
Esse amor é intacto
Um sentimento que meu coração não pode negar
Cada vez que eu olho em seus olhos, oh baby
Sei por que
Esse amor é inquebrável

Dividiu a gargalhada
Dividiu as Lágrimas
Nós dois Sabemos
Nós continuaremos aqui
Porque juntos
Nós somos fortes
Nos meus braços
Que é o lugar ao qual você pertence


Eu fui tocado pelas mãos de um anjo
Eu fui abençoado pelo poder do amor
E sempre que você sorri
Eu mal posso acreditar que você é minha

Esse amor é inquebrável
É inconfundível
E cada vez que eu olho em seus olhos
Sei por que
Esse amor é intacto
Um sentimento que meu coração não pode negar
Cada vez que você sussurra o meu nome, oh baby
Sei por que

Esse amor é inquebrável
Pelo fogo e pelas chamas
Quando tudo acabar
Nosso amor ainda permanecerá


Cada vez que eu olho em seus olhos, oh baby
Sei por que
Esse amor é inquebrável


sábado, 6 de novembro de 2010

NÃO É INCOMUM - 10 REGRAS PRA SER FELIZ




NÃO É INCOMUM

Tom Jones

Não é incomum ser amado por alguém
Não é incomum divertir-se com alguém
Mas quando a vejo por aí com qualquer um
Não é incomum ver-me chorando
Oh, quero morrer!
Não é incomum sair a qualquer hora
Mas quando a vejo por aí acho um absurdo
Se algum dia, você quiser ser amada por outro alguém
Não é incomum, acontece todos os dias
Não importa o que diga
Verá que acontece a toda hora
O Amor nunca fará
O que você quer
Por que esse louco amor não pode ser meu?
Não é incomum ficar zangado com alguém
Não é incomum ficar triste com alguém
Mas se eu notar uma mudança em você
Não será estranho perceber que amo você



terça-feira, 2 de novembro de 2010

NE ME QUITTE PAS






NE ME QUITTE PAS

Jacques Brel

Não me deixes
É preciso esquecer tudo
Tudo pode ser esquecido
Como o que já se foi
Esquecer o tempo 
Dos malentendidos
E o tempo perdido
Em saber como
Esquecer essas horas
Que às vezes matavam
Com tantos porquês
O coração da felicidade

Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

Eu te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de um país
Onde não chove
Eu atravessarei a terra
Até perto da morte
Para cobrir teu corpo
De ouro e de luz
Eu farei a mansão,
Onde o amor será rei
Onde o amor será lei
E tu serás rainha 

Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

Não me deixes
Eu te inventarei 
Palavras insensatas
Que tu compreenderás
Eu te falarei
Daqueles amantes
Que por vezes viram
Seus corações se abrasarem
Eu te contarei
A história de um rei
Morto por não te haver
Podido encontrar

Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

Por tantas vezes vimos
Ressurgir o fogo
Do antigo vulcão
Que se acreditava velho demais
Parece que havia
Terras queimadas
Dando mais trigo
Que na melhor primavera
E quando cai a tarde 
Para que o céu flameje 
O vermelho e o negro
não se mesclam? 

Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes

Não me deixes
Eu não vou mais chorar
Eu não vou mais falar
Eu vou esconder-me ali
Só para te ver
Dançar e sorrir
E para te escutar 
Cantar e depois rir
Deixa-me tornar
A sombra da tua sombra
A sombra da tua mão
A sombra do teu cão


Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes
Não me deixes


@ Tradução da Renata Cordeiro

Orkutei.com.br



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

NOSSO AMOR




NOSSO AMOR

Nosso amor tem um clima de mistério.
Tem seus matizes tão próprios,
que sempre os levei à sério.
Se o dia parece tranqüilo, não temos pressa para nada.
Não vemos se é cedo ou tarde,
se é noite ou madrugada.
Amamo-nos sem perceber, cada minuto que passa.
Se noutro dia, entretanto,
com os corações agitados,
esse amor nos arrebata,
repleto em loucura, êxtase, emoção desenfreada,
amamos como se no tempo houvesse apenas um momento, um minuto.
Existem outros matizes, que enfeitam a nossa festa:
se prefiro a luz acesa,
queres mantê-la apagada.
Se queres o quarto escuro,
prefiro à meia-luz.
Se queres ter o domínio,
entrego-me a teus carinhos,
mas no momento seguinte,
não deixo ser dominada.
Eis pequeninos detalhes,
que neste ato de amor
nos aproxima e seduz.
Nosso mundo está aqui,
nosso momento é agora.
Porque no instante em que amamos,
a vida e o mundo, resumem-se a nós.
Já não há vida lá fora..
@ Maria de Fatima Delfina de Moraes



terça-feira, 26 de outubro de 2010

BOLERO




BOLERO


Segure minha mão com firmeza,

mas com carinho.
Olhe nos meus olhos bem fundo
enquanto eu olho
no fundo dos teus olhos.
Enxergue minha alma
enquanto traduzo teus sonhos
e deixe que a gente flutue
bem juntos em uma só energia.



Vamos dançar juntos,

como se voássemos
em uma nuvem exclusiva toda nossa.
E enquanto dançamos,
eu te beijo
e você me beija
e a essa altura
já não sou eu, nem tu és.



Somos nós dois, em um apenas.

Dois seres, dois corpos,
um sentimento,
uma dança,
uma alma única.




Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

POEIRA NO VENTO





POEIRA NO VENTO


Kansas


Eu fecho os olhos

Só por um momento e o momento se esvai.

Todos os meus sonhos

Passam diante dos meus olhos, simples curiosidade.

Poeira no vento

Tudo o que são é poeira no vento.


A mesma velha canção


Só uma gota d’ água no oceano infinito.

Tudo o que fazemos

Desintegra-se à terra, embora nos recusemos a vê-lo.

Poeira no vento

Tudo o que somos é poeira no vento.

Não fique parado


Nada dura para sempre, só o céu e a terra.

Isso vai embora

Nosso dinheiro não vai comprar outro minuto.

Poeira no vento

Tudo o que somos é poeira no vento


Poeira no vento


Tudo é poeira no vento!


Tudo é poeira no vento.