quarta-feira, 21 de abril de 2010

BOM FIM DE SEMANA******************************




LA TRAVIATA


Ópera quatro atos de Giuseppe Verdi, com libreto de Francesco Maria Piave, baseada no romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho.


Tradução de Renata Cordeiro
ATO I

É noite de festa na casa da socialite Violetta Valéry.

Violetta, prometida ao Barão Douphol, é apresentada por seu amigo Gastone de Letorières a seu amigo Alfredo Germont. Gastone conta que ele já conhecia Violetta há algum tempo e a amava em segredo. Alfredo, então, ergue um brinde a Violetta e lhe faz uma declaração de amor.Violetta responde a Alfredo que, sendo uma mulher mundana, não sabe amar e que só lhe poderia oferecer a amizade, sendo que Alfredo deveria procurar outra mulher. Mas ainda assim, entrega-lhe uma camélia que carrega entre os seios e solicita a ele que volte no dia seguinte. Após o fim da festa, Violetta permanece só e começa a se dar conta do quão profundamente tocaram-lhe as palavras de Alfredo, um amor que ela jamais conheceu anteriormente.

ATO II

Violetta e Alfredo iniciam um relacionamento amoroso e vão morar numa casa de campo, nos arredores de Paris. Aninna, a criada de Violetta, conta a Alfredo que Violetta tem ido constantemente a Paris vender seus bens, para custear as despesas da casa de campo.Giorgio Germont, pai de Alfredo, visita Violetta e lhe suplica que abandone Alfredo para sempre. Giorgio conta-lhe sobre sua família e especialmente sua filha, na Provença, e acredita que ver Alfredo envolvido com uma mulher mundana destruiria sua reputação.Contrariada, Violetta atende as súplicas de Giorgio e lacra um envelope endereçado a Alfredo. Violetta parte para uma festa na casa de sua amiga Flora Bervoix e Alfredo lê a carta. Desconfiado de que Violetta possa tê-lo traído, Alfredo vai até a casa de Flora, para se vingar.

ATO III

A festa tem início com um grupo de mascarados que lhes proporcionam um divertimento. Violetta chega à festa acompanhada do Barão Douphol. Alfredo surge logo em seguida.Alfredo começa a jogar com o Barão e ganha. Em um momento em que o jantar é servido, Violetta e Alfredo permanecem a sós no salão e Alfredo força-a a confessar a verdade. Violetta, mentindo, diz amar o barão. Furioso, Alfredo convoca todos para o salão e atira na cara de Violetta todo o dinheiro conseguido no jogo e desafia Douphol para um duelo. Violetta desmaia, Alfredo é reprimido por todos e a festa termina.

ATO IV

Violetta está doente e empobrecida, depois de se desfazer de todos os bens. Tomada pela tuberculose, recebe cartas de vários amigos e uma, em especial, chama a atenção. É de Giorgio Germont, arrependido por ter colocado Violetta contra Alfredo. Giorgio e Alfredo visitam Violetta, e eles todos se reconciliam. Violetta e Alfredo começam a fazer planos para a vida depois de que Violetta se recuperar. Entretanto, Violetta está muito debilitada fisicamente e começa a sentir o corpo falhar. Entrega a Alfredo um retrato seu e avisa-o para que o entregue à próxima mulher por quem ele se apaixonar. Violetta sente os espasmos da dor cessarem, mas em seguida expira.

***

UM POUCO DE HISTÓRIA

A Dama das Camélias existiu. Seu nome era Alphonsine Plessis. Nascida em 1824, Alphonsine Plessis era conhecida por Marie Duplessis. Morta aos 23 anos, abandonada por todos e consumida pela tuberculose, ela escreveu e deixou testemunhos sobre a sua infância sórdida na Normandia, o « grande infortúnio » que a perseguiu até a morte, a sua iniciação dolorosa no mercado do prazer, seu début em Paris de modesta manteúda educada por alguns homens: Agénor de Guiche, Lorde Seymour, Franz Liszt e, é claro, Alexandre Dumas, Filho. Ela se tornou uma das cortesãs mais aduladas da sua época, o diamante negro das festas e das noitadas da sociedade boêmia. Generosa e cheia de mistério, essa mulher brilhou como uma estrela. Também amou apaixonadamente. Sofreu. Tornou-se uma figura lendária, heroína de romance e teatro (A Dama das Camélias, e o poema “M. D.” – as iniciais de Marie Duplessis - de Alexandre Dumas, Filho), de ópera (La Traviata de Giuseppe Verdi), de balé (A Dama das Camélias e LaTraviata), bem como de cerca de 40 filmes. Há uma tendência a esquecer que ela realmente existiu, ainda que a sua vida pareça inventada. Que destino! No cemitério de Montmartre, sobre a sua romântica tumba, há sempre uma camélia florida.




Alphonsine Plessis, conhecida como Marie Duplessis

M.D.


Alexandre Dumas, Filho


Nós brigamos; por quê? No que me cabe, ignoro:
Só pela suspeição de amores não sabidos
Hoje, eu que vos fugi, agora inda deploro
Ter-vos abandonado e depois ter volvido

Então vos escrevi, Senhora, que viria,
Para pedir perdão e ver-vos ao voltar
Porque do fundo da alma achava que devia
Ao meu último amor primeiro visitar

E quando a alma acorreu, depois de um tempo ausente,
Vosso umbral e janela estavam encerrados
Então ouço dizer que o túmulo recente
Cobria para sempre o rosto tão amado

Dizem-me com friez que após uma agonia
Que alguns meses durou, o mal foi o mais forte
E lança o que é fatal, assim, com ironia
À esperança inda viva a nova de tal morte

Revi, ao me curvar à pesada memória,
A escada conhecida, o repisado umbral
E as paredes que, sós, atestaram a história,
E que a falar do morto esquecem o vital

Eu subi. Reabri, chorando, aquela porta
Que, rindo à larga, nós em sincronia abríamos
E na lembrança dava a vida, cara morta,
Ao fantasma do tempo alegre em que vivíamos

Sentei-me à mesa à qual, estando lado a lado,
Soíamos cear nas noites só de flores
E desse nosso amor ditoso do passado
Das coisas eu ouvia os síncronos rumores

O piano revi, em que o ávido ouvido
Sempre vos escutava encetar o concerto
Vossa morte o deixou inerte, interrompido
Como, após o verão, o bosque tão deserto

Entrei no toucador, que, miragem divina,
Vos aprazia o olhar com seus milhões de cores
Vossos quadros revi, e os tais vasos da China,
Onde morriam inda alguns buquês de flores

Vosso quarto julguei tristonho, embora puro
Santuário de amor pela morte sagrado
Iluminava o sol o leito ali no escuro
Mas não dormíeis mais no leito iluminado

Ao lado eu me sentei da cama tão deserta
Triste visão, um ninho, isolado, no inverno,
Fixei bastante o olhar naquela porta aberta
Por onde havíeis dado o passo para o eterno

Depois houve a invasão do bafejo aromático
Da ditosa saudade, enquanto eu escutava
O alternado tic-tac do relógio fleumático
Que a abençoada hora antigamente dava

É que lá, minha ausente idolatrada, outrora
Ficávamos os dois após a meia-noite
E desde esse momento até chegar a aurora
Ouvíamos passar os minutos da noite

As cortinas abri, de cetim purpurante,
Que o sono da manhã costumavam velar,
Permitindo tão-só que o raio cintilante
Desse ao rosto dormente um vago despertar

Mas toda noite a chama então vos aclarava
Quando olháveis o lar, e o fogo a arder corria
Pois com os olhos, só, a dormência observava,
E do que vos matou a vossa alma sofria

Como um verme roendo a flor que já se fana
Incessantes serões finavam vossos dias
Que faziam de vós cortesã, mulher-dama
Buscando sempre o amor e buscando as folias

E essas noites nas quais, amante arrebatada,
Sob os beijos, rolando o corpo enlouquecido,
Encontráveis, entregue a ardências inflamadas,
Na total lassidão, o sono prometido?

Será que vos lembrais nas novas dimensões
Das coisas deste mundo, e no frio ataúde
Será que ouvis passando aquelas diversões
De que ficáveis lassa, em busca de quietude?

Tendes, Maria, em meio a flores tão formosas,
Sem temer despertar, o repouso almejado
Pois o Senhor soprou em vossa alma queixosa
E pagou de uma vez o sono retardado

Ó pobre! Ouvi dizer que na hora final
As mercenárias mãos os olhos vos fecharam
E que ao caminho a dar na morada fatal
Só duas afeições de antanho vos levaram

Benditos sede vós que a cabeça despistes,
E indo contra este mundo ignóbil, insolente,
Da mulher conhecida, ao seu fim conduzistes,
Tocando-vos a mão, o féretro inocente

Vós, que a amastes, por quem ao fim foi conduzida,
Que de modo algum sois viscondes ou altezas
Que com a presunção de sustentar-lhe a vida
Não viram que seguir-lhe a morte era nobreza

Tradução de Renata Cordeiro




O diário de Alphonsine Plessis


Túmulo de Alphonsine Plessis no Cemitério de Montmartre, Paris


Cena da peça A Dama das Camélias


O Balé A Dama das Camélias




Cena do balé La Traviata, baseado na ópera de Giuseppe Verdi



Mensagens de Amor





3 comentários:

Nanda Assis disse...

ta um delicia aqui, muito lindo, a gente ve a dedicação e o seu capricho.

bjosss...

Mariazita disse...

Boa noite, minha querida
Ando com vontade de passar por aqui desde que vc me disse que tinha reaberto o Galeria, mas por um motivo ou por outro, acabei por vir só agora.
Embora custe um bocadinho a abrir (eu penso que está um pouco "pesado") vale a pena esperar. Está muito bonito.

Sabe uma coisa? Eu gosto imenso de ópera, vi várias, ao vivo, e em filme nem tem conta as óperas que já pude apreciar. Pois acredita que nunca vi a Traviata em filme? Já a vi ao vivo duas ou três vezes, não posso precisar ao certo, mas em filme nunca. Mas também não sei porquê...
Para meu gosto a Traviata é uma das mais bonitas, embora eu goste, dum modo geral, de todas.

Menina, levei o selinho deste blog e já está na sidebar da "Casa". Vai lá ficar uns dias e depois transita para a "Colecção de selos", como acontece com todos.
Ah! Vc reparou que está em 1º.lugar no ranking dos meus comentadores?

Outra coisa, estou te esperando no "Lírios". Uma poetisa da sua qualidade, gostando de poesia como gosta, é imperdoável a sua falta lá, viu :)

Agora vou descansar, queridinha. Estou com uma ligeira dor nas costas, que espero não seja prenúncio de uma crise de coluna...Talvez não.

Beijinhos de boa noite e meu carinho.

Graça disse...

Choro sempre que assisto à Traviata... a última vez, foi há poucos meses... não tem como reverter esta situação. Adoro ópera. Post magnífico, querida Renata.


Beijo no seu coração, sempre cheio de carinho.