domingo, 25 de abril de 2010

TRISTÃO & ISOLDA E PRÊMIO BLOG DE OURO






Recebi do amigo Abdoul, de Curitiba, o prêmio de Blog de Ouro. Muita gentileza a sua, mon cher, não sei se sou digna de merecê-lo. Saiba que é muito querido por mim e por mais pessoas. Amo o que escreve e admiro a sua visão de mundo. Além de inteligente, é amoroso, compreensivo, respeitador, só quer o bem, a Liberdade... Sinto-me honrada de poder ter começado a conhecê-lo aqui na blogosfera e, cada vez mais, este conhecimento se vem aprofundando.


São 4 regrinhas a serem seguidas:

1) Por que eu acho que mereci o prêmio?

Como já disse, não sei se sou digna de merecê-lo. E vou citá-lo explicitamente com algumas adaptações, "mas, tento ser sincera em tudo o que escrevo, seja no meu blog, seja no dos outros, pois leio todos os textos, quando posso, por quê? Todos o sabem. E os leio até o fim e procuro comentar com todo o meu potencial, esperando receber dos leitores a mesma coisa que ofereço.

2) Na minha opinião, qual o post do blog é o que mais merece receber este selo?

Escrevo todos com igual sinceridade e carinho, falando de algo que me agrade ou não. Reabri este blog e há 7 pessoas se apegaram a ele. Sinceramente, não sei qual o post que o merece. Talvez essa pergunta devesse ser respondida por outrem.

3) Acerca de quem me indicou, o que mais me agrada? Ele merece o Prêmio?

O Abdoul é inteligente, amoroso, compreensivo, respeitador, só quer o bem, a Liberdade, além de ser esclarecido, de mente aberta. Sabe expor bem o seu ponto de vista e dá atenção a todos os que a visitam. Como não seria merecedor?

4) Indico este Prêmio a todos, em especial aos recém-apegados.

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TRISTÃO & ISOLDA

Estados Unidos, Grã-Bretanha, República Tcheca, 2005
Direção: Kevin Reynolds
Produção: Ridley Scott
Com Sophia Myles, James Franco, Rufus Sewell, Mark Strong, Henry Cavill, Bronagh Gallagher, David O´Hara
Título Original: Tristan & Isolde/Tristan + Isolde




A história é a da Bretanha enfraquecida desde a queda do Império Romano. A terra está dividida em vários clãs e a Irlanda, protegida pelo mar, se esforça para tornar essa divisão ainda mais forte a fim de manter a sua dominação sobre os bretões. Na seqüência de uma tentativa de assinatura de um tratado que unificaria a Bretanha, os pais de Tristão são assassinados. Então Marcos, senhor igual ao pai do menino, o cria como filho, baseando a sua educação nos ideais de honra e dever. Muitos anos depois, após uma expedição conduzida pelo Morholt, primeiro cavaleiro irlandês, prometido a Isolda, filha de Donnach, rei da Irlanda, em que várias moças e rapazes bretões, o futuro da Bretanha como diz Donnach, são levados como escravos, Tristão concebe um plano guerreiro para recuperá-los. Rechaça os irlandeses, mas é atingido pelo veneno que havia na lâmina da espada do Morholt, que, mesmo assim, ele mata. Dado como morto, Tristão é posto num barco funerário e empurrado para o oceano. O barco vai dar numa praia da Irlanda e o rapaz é encontrado e socorrido por Isolda e Bragne, sua dama de companhia. A conselho de Bragne, Isolda esconde a sua identidade de Tristão, e o salva, graças aos seus conhecimentos em ervas. Um se apaixona pelo outro, mas Tristão é obrigado a voltar e fugir da inimiga Irlanda, pois os que foram poupados no combate já chegaram e contaram ao rei o que aconteceu, além de um pescador ter achado a espada de Tristão no seu barco aos pedaços, que jazia na praia. Ele roga a Isolda que vá com ele, mas ela lhe diz que isso é impossível, pois sabe que ele é inglês e ela, a princesa da Irlanda. Para dividir ainda mais a Bretanha, o rei da Irlanda decide organizar um torneio cujo vencedor obterá a mão da sua filha e as terras de Leônis. Tristão, que a essa altura já voltou para casa, decide participar e triunfar no torneio em nome de Marcos, para acabar com uma guerra de cem anos sem derramar uma só gota de sangue. Ele sabe que se conseguir a mão da filha do rei da Irlanda, Marcos poderá, desposando-a, ganhar o crédito necessário para unir todas as tribos bretãs. Só que Tristão não sabe que Isolda é a moça que o socorreu na Irlanda, a moça que ele ama. No meio do torneio, ele a procura entre a assistência. É escusado dizer que ele vence. E que não encontra Isolda, porque ela está no camarote principal, ao lado do rei, com um véu cobrindo-lhe o rosto, pois, como ela mesma diz, se sou um presente devo ir toda embrulhada. Isolda fica felicíssima porque Tristão venceu o torneio, pois pensa que será entregue a ele, mas quando fica sabendo que será de Marcos se decepciona muito. Tristão também se decepciona, pois não sabia que a moça que ele amava era Isolda. No barco que os leva à Bretanha, Isolda pede para vê-lo. Diz-lhe que ele sacrificou a própria vida para entregá-la a outro homem e ele replica dizendo-lhe que ela lhe falara que se chamava Bragne. Isolda lhe implora que ele pare o barco e que eles partam para qualquer lugar. Tristão diz que não pode fazer isso, pois a ganhou em nome do seu rei e que isso vai interromper uma guerra de cem anos. Mas eu sou sua. Você me tocou, eu o toquei! (Isolda). Isso não importa (Tristão). É a única coisa que importa (Isolda). Isolda, vamos conviver com isso. Nós devemos. (Tristão). Essa é a primeira vez que Tristão rejeita Isolda em nome dos ideais de dever e honra. A segunda vez em que ele a rejeita em nome desses ideais ocorre em pleno casamento de Marcos com Isolda, quando os esposos vão recolher-se para a noite de núpcias. Enquanto Marcos abraça um amigo, Isolda diz a Tristão: Se as coisas fossem diferentes, se vivêssemos num lugar sem deveres, você ficaria comigo? Ao que Tristão responde: Esse lugar não existe. Só que Tristão ama Isolda e sofre de ciúme, de amor e de culpa. Culpa por desejá-la, por não controlar o seu desejo, por em pensamento trair Marcos. Então foge do castelo em que mora junto com Marcos, Isolda e família. Vai passar um tempo na casa de um amigo. Apesar de amá-la, não tem coragem de tomar a iniciativa e ir falar com ela. É ela - que só pensa no amor, pois a vida dela é paixão, o mundo dela não é o mundo dos deveres e da honra, mas o do amor - que vai falar com ele, certo dia, no mercado. Marcos, Edith, irmã de Marcos, que o ajudou a criar Tristão, e Isolda estão passeando e Tristão os está espiando. Edith o chama e ele foge. Então Isolda diz a Marcos que talvez ele se abra com alguém da sua idade. Ele confessa o amor, a culpa que lhe queima, e o mal-estar que sente toda vez que vê Marcos acariciá-la e ela lhe responde que foi ele próprio, Tristão, quem disse que eles tinham que conviver com aquilo. Depois lhe propõe encontrarem-se na ponte romana, o que fazem na mesma noite. E na mesma noite, Tristão toma a iniciativa e a leva para um quarto durante a festa da cavalgada dos guerreiros na lua cheia. A terceira vez em que Tristão rejeita Isolda é quando Marcos desconfia que Isolda tem um amante e vai conversar com Tristão, mostrando-lhe uma pulseira de espinhos que Tristão havia feito para ela. Tristão sente culpa, afirma a Marcos que Isolda lhe é leal, e mais, que ele tem certeza disso. Em seguida, queima a ponte romana e não comparece ao encontro. Isolda fica decepcionada quando para lá vai à noite e não o encontra. A essa altura, Wictred, um barão da Bretanha, descobre que Tristão e Isolda são amantes. Planeja com o rei da Irlanda atacar a Bretanha no dia da coroação de Marcos e Isolda e prepara o flagrante. No dia da coroação, Wictred pede para tocarem uma música lenta a fim de que Tristão dance com Isolda. Isolda pergunta a Tristão por que ele queimou a ponte romana, ao que ele responde que ela sabe. Então ela lhe diz: Encontre-se comigo lá agora ou morrerei. Wictred arma a cavalgada dos guerreiros na lua cheia para dar o flagrante em Tristão e Isolda e os pega justamente naquele que poderia ser o abraço de despedida dos amantes. Marcos manda prendê-los. Donnach declara guerra ao recente reino da Bretanha, como combinado com Wictred, pois Tristão está a ferros. Isolda conta a Marcos que conhecera Tristão na Irlanda desde quando ele, Marcos, pensava que o seu valoroso guerreiro estava morto. E lhe narra toda a história. O rei Marcos, boníssimo, tolerante, aceita o que Isolda lhe diz e concede a liberdade aos amantes. Tristão é levado à beira do rio onde Isolda e Bragne o esperam junto a um bote. É solto e Isolda lhe diz que Marcos lhes deu a liberdade. Tristão fala para Isolda entrar no barco. Tristão, se fizermos isso... (Isolda), Vão dizer para sempre que o nosso amor fez cair um reino. Lembre-se de nós (Tristão). Ele derrama algumas lágrimas, depois dá as costas e vai correndo lutar ao lado de Marcos. Essa é a quarta e última negação de Isolda. Morre como guerreiro. Antes de morrer, pede para ser levado ao rio. Marcos manda trazerem Isolda, que lhe diz:
– Saiba que amo você, Tristão. Aonde quer que você vá, o que quer que veja, sempre estarei com você.
E ele replica:– Você tinha razão. Não sei se a vida é maior do que a morte, mas o amor foi maior do que ambas.
Então, há uma cena em que se recordam momentos dos amantes juntos, e Isolda declama a seguinte estrofe de um poema de John Donne a Tristão:

Meu rosto em teu olhar, o teu no meu reflete,
E veros corações descansam nos dois rostos;
Dois hemisférios: par que melhor se complete,
Onde, sem frio norte e sem sequer sóis-postos?
O que morre não foi igualmente mesclado;
Se é nosso amor o mesmo e formamos um par,
Nenhum pode morrer, se nenhum descuidar.
John Donne, excerto de “The Good-Morrow”
(Tradução de Renata Cordeiro)

Depois, diz o filme que Isolda sepultou Tristão nas ruínas romanas e plantou na sua sepultura dois salgueiros que cresceram entrelaçados para sempre. E que, em seguida, ela desapareceu.

Fim.



As críticas feitas a esse filme foram em geral desfavoráveis porque o diretor não pôs o filtro do amor, porque o Tristão e a Isolda choram o tempo todo, porque o ator que faz o papel de Marcos ficaria muito melhor como Tristão, etc. Ignora-se tudo. Primeiro: estamos no século XXI, seria ridículo incluir o filtro do amor no filme. Ademais, se o filtro fosse incluído, seria preciso incluir o dragão. Segundo: o filme se baseia num livro do século XXI, Isolde, queen of Western isle, de Rosalind Miles, o primeiro de uma série de três romances sobre Tristão e Isolda e não nos manuscritos medievais, tampouco na reescrita de Bédier. Terceiro: muitos fãs se zangaram pela inclusão de um poema do século XVII numa história que se teria passado no século VII. Ora, o diretor de um filme pode fazer o que quiser com o seu filme. Além do mais, um filme nada deve a um livro, a uma história, a um mito, a uma lenda, pois é uma obra autônoma. Quarto: dois motivos andam lado a lado no filme, o ético-político e o amoroso e há quem não tenha compreendido isso, haja vista as inúmeras críticas que dizem que vão ficar esperando pelo filme que lhes contará a verdadeira história de Tristão e Isolda. Verdadeira história? Do quê? De um mito? De uma lenda? Embora a maior parte das pessoas não tenha percebido, e muitos vão ficar desiludidos com isso, a tônica do filme é a ética e não o amor. Em nenhum momento, Tristão abdica dos seus ideais para ficar com Isolda. Porque o único mundo que ele conhece é o mundo do dever e o da honra. Já Marcos é o protótipo do rei tolerante que aceita o outro, que consegue a liberdade dos seus e concede a liberdade ao outro, por mais que isso lhe custe, que promove a paz e assim reina até o fim dos seus dias. Ao longo do século XXI, a ética será o campo que decidirá as bases filosóficas de um agir moral responsável. Fazer um filme no começo deste século em que a primazia é dada a essa área é valorizá-la ao extremo, quer Kevin Reynolds tenha consciência ou não de que assim o fez.

***






4 comentários:

عبد الحكيم گل جنوبیAbdoul Hakime Goul Djounoubi disse...

Quanto ao selo, és sim merecedora, e admiro teus blogues, comento quando dá, mas é claro que eu gostaria de poder aparecer mais vezes. Pena o tempo ser curto!

Sabes que és merecedora, não lamentes que aqui não passem muitos a deixar comentários, pois com o tempo tudo pode mudar.

Tristão e Isolda é uma história antiga e triste, e este filme acho que deve ser muito bom, de acordo com a tua descrição. tristão e Isolda fazem pensar como é que o homem pode gerar e manter tantos impedimentos ao amor...é uma pena, e é difícil abrir corações duros, que põem impedimentos ao amor, à liberdade e á vida de outros. Eis algo a se refetir.

Luciana disse...

Oi Rê
Parabéns pelo selo e que venham outros.
Tristão e Isolda é especial pois foi o primeiro filme que tu me mandou e a nossa amizade se fortaleceu não pelo filme enviado mas pela nossa amizade mesmo.
Bjs
Lu

Estela disse...

Sempre gostei de suas postagens sobre "Tristão e Isolda". É a sua marca.
Bjs.

Daniel Costa disse...

Renata

Vou lendo e agrada o que escreves sobre Tristão e Isolda. É como refectes, há que procurar ver com olhos do século da história, assim terá sido rodado o filme.
Beijos
Daniel