terça-feira, 26 de outubro de 2010

BOLERO




BOLERO


Segure minha mão com firmeza,

mas com carinho.
Olhe nos meus olhos bem fundo
enquanto eu olho
no fundo dos teus olhos.
Enxergue minha alma
enquanto traduzo teus sonhos
e deixe que a gente flutue
bem juntos em uma só energia.



Vamos dançar juntos,

como se voássemos
em uma nuvem exclusiva toda nossa.
E enquanto dançamos,
eu te beijo
e você me beija
e a essa altura
já não sou eu, nem tu és.



Somos nós dois, em um apenas.

Dois seres, dois corpos,
um sentimento,
uma dança,
uma alma única.




Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

O gerente disse...

ô seu carlos, mas que coisa o senhor hein... quer dizer que é assim que se dança o Bolero, é? Velho assanhado!

Janaina Cruz disse...

Nada como um tango, uma dança amorosa a dois... Lindo teu blog.

Daniel Costa disse...

Querida Rê

Sou muito apologista do tema que escreveu Drummond de Andrade: Dois completarem-se, um par de pessoas, mas um só pendamento.
Ternos beijos