terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SONETO XVI, PABLO NERUDA



SONETO XVI
Pablo Neruda




Amo o pedaço de terra que és tu,

porque das campinas planetárias

outra estrela não tenho. Tu repetes

a multiplicação do universo.



Teus amplos olhos são a luz que tenho

das constelações derrotadas,

tua pele palpita como os caminhos.

que percorre na chuva o meteoro.



De tanta luz foram para mim teus quadris,

de todo o sol tua boca profunda e sua delícia,

de tanta luz ardente como o mel na sombra



teu corpo queimado por longos raios rubros,

e assim percorro o fogo de tua forma beijando-te,

pequena e planetária, pomba e geografia.



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