segunda-feira, 23 de agosto de 2010

SE**********************



SE************

Se puderes guardar o sangue frio diante

de quem fora de si te acusar, e, no instante
em que duvidem de teu ânimo e firmeza,
tu puderes ter fé na própria fortaleza,
sem desprezar contudo a desconfiança alheia...

Se tu puderes não odiar a quem te odeia,
nem pagar com a calunia a quem te calunia,
sem que tires daí motivos de ufania,
sonhar, sem permitir que o sonho te domine,
pensar, sem que em pensar tua ambição se confine,
e esperar sempre e sempre, infatigavelmente...

Se com o mesmo sereno olhar indiferente
puderes encarar a Derrota e a Vitória,
como embustes que são da fortuna ilusória,
e estóico suportar que intrigas e mentiras
deturpem a palavra honesta que profiras...

Se puderes, ao ver em pedaços destruída
pela sorte maldosa, a obra de tua vida,
tomar de novo, a ferramenta desgastada
e sem queixumes vãos, recomeçar do nada...

e tendo loucamente arriscado e perdido
tudo quanto era teu, num só lance atrevido,
se puderes voltar à faina ingrata e dura,
sem aludir jamais à sinistra aventura...

Se tu puderes coração, músculos, nervos
reduzir da vontade à condição de servos,
que, embora exausto, lhe obedeçam ao comando...

Se, andando a par dos reis e com os grandes lidando,
puderes conservar a naturalidade,
e no meio da turba a personalidade,
impávido afrontar adulações, engodos,
opressões, merecer a confiança de todos,
sem que possa contar, todavia, contigo
incondicionalmente o teu melhor amigo...

Se de cada minuto os sessenta segundos
tu puderes tornar com teu suor fecundos...

a Terra será tua, e os bens que se não somem,
e, o que é melhor, meu filho, então serás um Homem!
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Carta ao filho, de Rudyard Kipling

Tradução de Alcantara Machado



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

DA ESCRITA


DA ESCRITA

Italo Calvino
"Às vezes penso na matéria para o livro a escrever como uma coisa que já existe: pensamentos já pensados, diálogos já pronunciados, histórias já acontecidas, lugares e ambientes já vistos; o livro não devia ser senão o equivalente do mundo não escrito traduzido em escrita.
Mas outras vezes julgo compreender que entre o livro a escrever e as coisas que já existem só pode haver uma espécie de complementaridade: o livro devia ser a parte escrita do mundo não escrito; a sua matéria devia ser o que não existe nem poderá existir senão quando for escrito, mas cujo vazio o que existe sente obscuramente na sua imperfeição.
Vejo que seja como for, continuo a girar em torno da ideia de uma interdependência entre o mundo não escrito e o livro que deveria escrever. É por isso que o escrever se me apresenta como uma operação de tal peso que fico esmagado.
Ponho o olho no óculo e aponto-o para a leitora. Entre os seus olhos e a página voa uma borboleta branca. Seja o que for que estivesse a ler, a verdade é que agora foi a borboleta a prender a sua atenção. O mundo escrito tem o seu apogeu naquela borboleta. O resultado para que devo tender é uma coisa precisa, íntima, leve.
Observando a jovem mulher na cadeira, deu-me uma necessidade de escrever a vista, ou seja escrever não ela mas a sua leitura, de escrever qualquer coisa, mas pensando que tem de passar através da leitura dela.
Agora, vendo a borboleta que pousa no livro. Queria escrever "a vista" tendo presente a borboleta. Escrever por exemplo um crime atroz, mas que de algum modo se pareça com a borboleta, que seja fino e leve como a borboleta. Poderia também descrever a borboleta mas tendo presente a cena atroz de um crime, para que a borboleta se torne uma coisa assustadora"

sábado, 14 de agosto de 2010

SEMPRE É TEMPO DE SER FELIZ******



SEMPRE É TEMPO DE SER FELIZ*****

Teu charme é luz que seduz
Em sorrisos de plena alegria
Tua beleza desfila a clara manhã
De cintilantes majestades
E as horas passam depressa

Tão ligeiras tão saltitantes

Qual suave vento do mar
Dizendo que tua vida encanta
Tua inteligência vibra e voa
Pairando em desfiles de pura poesia
Por onde passas por onde vives
Deixarás saudades e lembranças
Definitivas
Sempre é tempo de ser feliz

® Renata Cordeiro


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ÍNDIOS* BOA SEMANA A TODOS NÓS* EM TRANQÜILIDADE!







ÍNDIOS
Legião Urbana/Composição:Renato Russo

Quem me dera

Ao menos uma vez

Ter de volta todo o ouro

Que entreguei a quem

Conseguiu me convencer

Que era prova de amizade

Se alguém levasse embora

Até o que eu não tinha

Quem me dera

Ao menos uma vez

Esquecer que acreditei

Que era por brincadeira

Que se cortava sempre

Um pano de chão

De linho nobre e pura seda

Quem me dera

Ao menos uma vez

Explicar o que ninguém

Consegue entender

Que o que aconteceu

Ainda está por vir

E o futuro não é mais

Como era antigamente

Quem me dera

Ao menos uma vez

Provar que quem tem mais

Do que precisa ter

Quase sempre se convence

Que não tem o bastante

Fala demais

Por não ter nada a dizer

Quem me dera

Ao menos uma vez

Que o mais simples fosse visto

Como o mais importante

Mas nos deram espelhos

E vimos um mundo doente

Quem me dera

Ao menos uma vez

Entender como um só Deus

Ao mesmo tempo é três

Esse mesmo Deus

Foi morto por vocês

Sua maldade então

Deixaram Deus tão triste

Eu quis o perigo

E até sangrei sozinho

Entenda!

Assim pude trazer

Você de volta pra mim

Quando descobri

Que é sempre só você

Que me entende

Do início ao fim

E é só você que tem

A cura do meu vício

De insistir nessa saudade

Que eu sinto

De tudo que eu ainda não vi

Quem me dera

Ao menos uma vez

Acreditar por um instante

Em tudo que existe

E acreditar

Que o mundo é perfeito

Que todas as pessoas

São felizes

Quem me dera

Ao menos uma vez

Fazer com que o mundo

Saiba que seu nome

Está em tudo e mesmo assim

Ninguém lhe diz

Ao menos obrigado

Quem me dera

Ao menos uma vez

Como a mais bela tribo

Dos mais belos índios

Não ser atacado

Por ser inocente

Eu quis o perigo

E até sangrei sozinho

Entenda!

Assim pude trazer

Você de volta pra mim

Quando descobri

Que é sempre só você

Que me entende

Do início ao fim

E é só você que tem

A cura pro meu vício

De insistir nessa saudade

Que eu sinto

De tudo que eu ainda não vi

Nos deram espelhos

E vimos um mundo doente

Tentei chorar e não consegui


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FUTURO PALPITANTE************************************


FUTURO PALPITANTE
Nada pode durar para sempre nada é permanente
Gasto batido diferente inconsciente???
Não sei talvez?!?
Pensarei
Confie
Feche os olhos
Tenha fé
Permita-se
Salte e caiaaaaaaa
No futuro
Tão perto tão povoado
Aqui do lado
Sonho realidade
No horizonte
Campo de flores
Raios de sol
Inundam
Meus olhos
Chuva fina
Momentos mágicos
Momentos trágicos

Prestar
Atenção
À voz do
Coração
Que não se cala
Não se omite
Dá seu palpite
Sente Ressente
Atenção
Permissão
Preparar
Palpitar
Agoraaaaaaaaaaaa
Perdi
Razão
Lucidez
Abilolei
Ousei
Voar
Atentei
Ouvi
A voz do Coração
Que não calou
Falou
Gritou
Palpitou
Me permitiiiiiiiiii
Sentiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Ressentiiiiiiiiiiiiiii
Palpitei
Falei
Gritei
Opinei
No futuro
Pulei
Caí
Estou
E agora?
Consciente
Refaço

@ Renata Cordeiro