sábado, 22 de novembro de 2014

ORGULHO E PRECONCEITO





Lizzie: "Eu me pergunto quem descobriu o poder da poesia para espantar o amor."

Darcy: "Achei que fosse o alimento do amor"

Lizzie: "Do amor belo e vigoroso. Mas se é apenas uma vaga inclinação, um pobre soneto o liquidará."

Darcy: "Então o que recomenda para despertar a afeição?"

Lizzie: "Dançar. Mesmo que o par seja apenas tolerável."


sábado, 1 de novembro de 2014

JAMES DEAN





JAMES DEAN
Estados Unidos, 2001
Direção: Mark Rydell
Roteiro: Israel Horovitz
Com: James Franco, Valentina Cervi, Edward Herrmann, David Proval, Karen Kondazian
Título Original: James Dean/James Dean: An Invented Life
Gêneros Conexos: Relações Humanas/História/Filosofia da História/Ética/Crítica dos Costumes/Ontologia



Trata-se da história da vida de James Dean, o jovem ícone votado a ser estrela do cinema cuja chama ardeu em 8 de fevereiro de 1931 e foi interrompida por um acidente de carro em 30 de setembro de 1955. O filme centra o foco na juventude conturbada de James Dean, inclusive na perda da mãe na terna idade, e na sua difícil relação com o pai, cuja aprovação ele sempre procurou. Também trata dos seus primeiros anos como ator em Nova Iorque, desde a sua aceitação no “Actor´s Studio” até o prazeroso porém muito criticado início e fim da sua brilhante e curta carreira em Hollywood. Já assisti a vários quase-documentários/dramas ficcionais, muitos deles baseados em biografias publicadas em forma de livro, romanceadas ou de um autor que travou conhecimento com o biografado. Muitos desses livros deram bons filmes, a exemplo de “A Lista de Schindler” e “Gandhi”. Enquadro “James Dean”, filme da TNT, nesta categoria. É baseado na crença de que James Dean encarnava a própria vida na vida da personagem que representava. Ele não atuava, ele “era”. A questão é ontológica, pertence à Filosofia, ao questionamento do “ser”. Logo à primeira, qualquer espectador se depara com uma cena e fica de queixo caído. Um ator virtual, desconhecido (James Dean), entra no 
set para um teste. Caminha direto até um ator “extremamente conhecido e reconhecido” (não para ele, James Dean) e diz: “é velho demais para ser o meu pai, livre-se dele”, e deixe o set. Todos os “medalhões” entram em choque. Trata-se de um ator muito bem respeitado sendo posto para escanteio. Três segundos depois, lê-se que Dean “quer que o ator o odeie, porque o seu pai o odeia”. E dá certo com o que o filme pretende demonstrar: o seu pai na vida real o odiava mesmo. Esse fato será desenvolvido até o fim do filme. O vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator de Filme Televisivo, James Franco, que interpreta James Dean, já é motivo suficiente para ver a película não só porque ele ganhou o prêmio, aliás muito merecido, mas também porque não desperdiçou um segundo sequer e ainda ajudou na edição. Em 2001, James Franco ainda não era conhecido como o Osborne da trilogia “Homem Aranha”, nem tampouco com o Tristão de “Tristão e Isolda, 2006”, filme que o consagrou, embora a sua melhor atuação tenha sido em “Sonny, o Amante”, filme dirigido por Nicolas Cage, em que ele interpreta o papel-título. Embora ainda não fosse conhecido, encarnou James Dean, a ponto de ser chamado de “James as James”.Vi o filme várias vezes e o recomendo.


PALAVRAS DE JAMES DEAN

"Sonhe como se fosse viver para sempre, viva como se fosse morrer hoje."
"Viver o mais intensamente, arriscar sempre. Se tivesse 100 anos para viver, eu ainda não teria tempo para fazer tudo o que quero fazer."
“Um ator deve interpretar VIDA, e para isso deve estar disposto a aceitar todas as experiências que a vida lhe tem a oferecer. Na verdade, ele deve procurar saber mais da vida do que aquilo que a vida lhe põe aos pés. No curto espaço de sua existência, um ator tem de aprender tudo o que há para saber; a experiência: tudo o que há é a experiência, ou abordagem desse estado o mais perto possível.”

segunda-feira, 27 de outubro de 2014


Lady of Shalott, John W. Waterhouse, London's Tate Gallery




LADY DE SHALOTT



De ambos os lados do rio há

Grandes campos de cevada e de centeio

Que cobrem a planície e alcançam o céu

E em meio ao campo há uma estrada

Para a Camelot de muitas torres

As pessoas vão para cima e para baixo

Contemplando os lírios que flutuam

Há uma ilha mais abaixo

A ilha de Shalott

Salgueiros embranquecem álamos tremem

Ligeiras brisas crepúsculo e calafrio

As águas correm eternamente

Pela ilha no rio

Que desemboca em Camelot

Quatro paredes cinzentas e quatro torres cinzentas

Num espaço de flores

A ilha silenciosa cobre com sombras

Lady de Shalott

Só há camponeses que trabalham cedo

Por entre a cevada a ser ceifada

Ecoa a suave canção alegremente

Que vem do rio onde venta

Até a elevada Camelot

E ao luar o ceifeiro cansado

Empilhando maços em grandes amontoados

Escuta e sussurra "esta é fada"

Lady de Shalott

Na torre ela tece dia e noite

Uma teia mágica com cores vistosas

Mas ouve um sussurro que diz

Que a maldição cairá sobre ela se continuar

Olhando para baixo, para Camelot

Não sabe que a maldição é essa

E assim tece continuamente

E pouco cuidado tem ela

Lady de Shalott

Mirando-se num espelho cristalino

Que fica à sua frente o ano todo

Sombras do mundo aparecem

Através do espelho ela vê a estrada

Vê o vento soprar sobre Camelot

E às vezes através do espelho

Vê os cavaleiros trotarem aos pares

Ela não tem cavaleiro leal e verdadeiro

Lady de Shalott

Mesmo tecendo ela contempla

As mágicas visões do espelho

Muitas vezes pelas noites silenciosas

Vê um funeral com pompas e luzes

E a música volta-se para Camelot

E quando a Lua brilha no alto

Dois jovens amantes enfim se casam

"Estou meio farta de sombras" diz

Lady de Shalott

Vê da sua torre numa disparada

Um cavalo entre os maços de cevada

O sol arde ofuscando as folhas

E queima as canelas despudoradas

Do ousado Sir Lancelot

É um cavaleiro que eternamente se ajoelha

Para uma senhora em seu escudo,

Que brilha no campo amarelo

Ao lado da remota Shalott

Seus olhos claros brilharam à luz do sol

Com cascos polidos seu cavalo de guerra trilhou

Debaixo do elmo esvoaçavam da cor do carvão

Seus cachos negros enquanto cavalgava

À medida que ia para Camelot

Na margem do rio

Ele apareceu no espelho cristalino

"Tirra lirra"

Cantou Sir Lancelot

Ela parou de tecer largou o tear

Deu três passos pelo quarto

Viu o lírio na água florescer

Viu o elmo e a plumagem

E se voltou para Camelot

Voou o tear flutuando ao longe

O espelho se quebrou ao meio

"A maldição caiu sobre mim"

chorou Lady de Shalott

O tempestuoso vento leste uivava

Os bosques amarelos empalideciam

Nas margens do rio as ondas se revolviam

Do céu desabou a chuva fortemente

Sobre a dominada Camelot

Ela desceu e encontrou um barco

Debaixo de um flutuante salgueiro partido

E na proa deixou escrito

Lady de Shalott

Descendo o extenso e turvo rio

Como algum vidente em transe

Vendo toda a sua miséria

Com o rosto paralisado

Ela olhou para Camelot

E ao fim do dia

Soltou as correntes e se deitou

O amplo rio levou para longe

Lady de Shalott

Ouvindo um hino pesaroso sagrado

Muito alto cantou com voz humilde

E o sangue começou a congelar

Os seus olhos ficaram escuros

Voltados para a elevada Camelot

Antes que com a maré alcançasse

A primeira casa da costa

Ainda cantando morreu

Lady de Shalott

Sob a torre e a sacada

Do muro do jardim e do balcão

Qual vulto cintilante ela flutuou

Pálida morta entre altas casas

O silêncio pairou em Camelot

Ao distante cais todos acorreram

Cavaleiro e burguês lorde e dama

E em volta da proa o seu nome leram

"Lady de Shalott"

Quem é esta? O que faz aqui?

Ali perto ficava o palácio iluminado

E nele cessou o som da real celebração

Os bravos homens tiveram medo

Todos os Cavaleiros de Camelot

Mas Lancelot refletiu por um tempo

E disse "que rosto lindo!

Deus misericordioso, abençoai

Lady de Shalott!"



TRADUÇÃO DE RENATA CORDEIRO


***


Lady de Shalott é um poema ou balada vitoriana, escrito pelo inglês Alfred Tennyson (1809-1892). Assim como seus primeiros poemas – Sir Lancelot e a Rainha Guinevere e GalahadLady de Shalott reformula a temática arturiana, baseada nas fontes medievais. Em 1896, o poema inspirou John William Waterhouse a pintar o quatro homônimo acima, representando a personagem no seu barco funerário à deriva pelo rio Tamisa. (Ele pintaria mais 3 quadros sobre Lady de Shalott). Na história, Lady de Shalott é uma dama que vive sozinha numa torre, na ilha de Shalott. A dama foi amaldiçoada: se ela olhar diretamente para Camelot, algo de terrível acontecerá. Então ela vê o mundo por um espelho, só. Um dia ela vê Lancelot, cantarolando próximo à sua torre, e mais do que nunca, ela percebe o quanto está perdendo na vida, vendo tudo e todos por sombras ou reflexos. Então, olha para ele - e o seu espelho se quebra, e a maldição começa. Sai da torre, vestida de branco, e no seu barco desce pelo rio, cantando uma canção triste, e vai morrendo aos poucos.




quinta-feira, 16 de outubro de 2014

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Essas que foram só pompa e alegria,



Essas que foram só pompa e alegria,
despertando bem cedo na alvorada,
serão à tarde em vão mui lastimadas,
dormindo em braços de uma noite fria.

Esse matiz que o céu já desafia,
arco-íris de cor rubra, alva e dourada,
será troça da vida humanizada:
tanto se faz ao término de um dia!

A florescer as rosas madrugaram
e para envelhecer desabrocharam;
berço e tumba em botão só encontraram.

Assim aos homens tais sinas chegaram:
num dia eles nasceram e expiraram;
e foram simples horas que passaram.

PEDRO CALDERÓN DE LA BARCA (1600-1681)
Tradução de Renata Cordeiro

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O AMOR NA SAVANA



O AMOR NA SAVANA


Atala me fez um casaco com a segunda casca do freixo, já que eu estava quase nu. Bordou-me mocassins de pele de rato algalioso, com pêlo de porco-espinho. E eu, por minha vez, cuidei dos seus trajes. Ora lhe punha na cabeça uma coroa de malvas azuis que encontrávamos no caminho, nos cemitérios indígenas abandonados; ora lhe fazia colares com grãos vermelhos de azálea; então, pegava-me sorrindo ao contemplar a sua maravilhosa beleza.
Quando encontrávamos um rio, nós o transpúnhamos de jangada ou a nado. Atala apoiava uma das mãos no meu ombro; e, como dois cisnes viajantes, atravessávamos as ondas solitárias.
Com freqüência, em virtude do calor, procurávamos abrigo nos musgos dos cedros. Quase todas as árvores da Flórida, em particular o cedro e o carvalho-verde, são cobertas de musgos brancos que caem dos seus galhos até o chão. Quando, à noite, ao luar, se avista, na nudez da savana, um carvalho-verde isolado coberto dessa cortina, parece que se vê um fantasma arrastando atrás de si os seus longos véus. A cena não é menos pitoresca em plena luz do dia; pois uma multidão de borboletas, de mosquitos brilhantes, de colibris, de periquitos verdes, vem grudar-se nesses musgos, que então causam o efeito de uma tapeçaria de lã branca, em que o operário europeu bordaria insetos e pássaros reluzentes.
Era nessas aprazíveis hospedarias, preparadas pelo Grande Espírito, que descansávamos à sombra. Quando os ventos desciam do céu para balançar aquele grande cedro, quando o castelo aéreo construído nos seus galhos flutuava com os pássaros e com os viajantes adormecidos à sua sombra, quando mil suspiros saíam dos corredores e das abóbadas do edifício móvel, nunca as maravilhas do Velho Mundo chegavam aos pés desse monumento do deserto.
Toda noite, fazíamos uma grande fogueira, e construíamos a cabana da viagem com uma casca erguida sobre quatro estacas. Quando eu matava um peru selvagem, um pombo-torcaz, um faisão da floresta, nós os levantávamos, e os púnhamos como que abraçados ao carvalho, na ponta de uma vara fincada no chão, e deixávamos ao vento o cuidado de girar a presa do caçador. Comíamos musgos chamados tripas das rochas, cascas açucaradas de bétula, e maçãs de maio, que têm gosto de pêssego e framboesa.  A nogueira negra, o bordo, o sumagre forneciam o vinho à nossa mesa. Às vezes, eu ia procurar, entre os caniços, uma planta cuja flor, alongada num funil, continha um copo do mais puro orvalho. Abençoávamos a Providência, que, no frágil caule de uma flor, pusera aquela fonte límpida no meio dos brejos corrompidos, que pusera a esperança no fundo dos corações ulcerados pela tristeza, que fizera jorrar a virtude do âmago das misérias da vida!
Lamentavelmente, logo descobri que me havia enganado sobre a calma aparente de Atala. À medida que avançávamos, ela ia ficando triste. Toda hora estremecia sem causa, e de repente virava a cabeça. Eu a surpreendia pousando sobre mim um olhar apaixonado, que, em seguida, ela dirigia ao céu com profunda melancolia. O que eu temia, principalmente, era um segredo, um pensamento no fundo da sua alma, que eu adivinhava nos seus olhos. Sempre a atrair-me e a rejeitar-me, reavivando e destruindo as minhas esperanças, quando eu acreditava ter desbravado um pouco de caminho no seu coração, eu me via no mesmo ponto.
                                                                                      (ATALA)
FRANÇOIS RENÉ, VISCONDE DE CHATEAUBRIAND (1768-1848)
Tradução de Renata Cordeiro

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

VIVER



VIVER


Se leva o prazer á dor
e se a dor leva ao prazer
viver é tão-só correr
eternamente ao redor
da esfinge de todo amor!

É muito esquisita a esfinge
e o seu rosto não se atinge...;
mas em segredo eu o vi,
é a esfinge esqueleto em si,
todo amor a morte extingue.

ÁNGEL GANIVET (1865-1898)

Tradução de Renata Cordeiro

domingo, 17 de agosto de 2014

TEUS OLHOS


TEUS OLHOS

São teus olhos, meu bem, negros diamantes
em que reluz o sol do meio-dia;
olhos cheios de erótica poesia,
de chamas e promessas embriagantes.

Teus olhos são espelhos fulgurantes
que refletem a linda Andaluzia
com sua pompa, encantos e alegria,
seus campos e seus céus tão deslumbrantes.

Quando assomo às pupilas muito belas,
vejo pomares, mais árabes paços,
mares de prata e luz, noites de estrelas,

pátios floridos, feiras buliçosas,
a Giralda sorrindo nos espaços,
e muito amor nos céspedes e rosas.

MANUEL REINA (1856-1905)

Tradução de Renata Cordeiro