quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

OS EXILADOS





OS EXILADOS



“Dor! Ao peito o ar natal nos tem tanto faltado!

Aqui, é lenta ao nosso corpo a seiva.

Montes, pinhos, mas onde, e aqueles nossos cabos

Cujo espinho, qual franja cobre as beiras?





“Onde o verde pendor dos nossos vales,

Em que o olhar se compraz nas filas tantas,

Formadas, margeando os argentinos mares,

Pelos tetos das nossas casas brancas?





“Onde o nórdico inverno e as tempestades grãs,

Gigantes de que tenho, aqui, saudade:

E o espesso nevoeiro e as festas folgazãs

Em que o prazer afasta a gravidade?





“Aqui, mesma estação e monótono céu;

O tempo muda muito pouco, às vezes.

No cálido ar, com pó, sussurra um vento ao léu.

Ah! Dai-nos nossas neves, nossos verdes!”





François-Xavier Garneau (1809-1866)
Tradução de Renata M. P. Cordeiro