domingo, 23 de março de 2014

SUAVE SONO!...




SUAVE SONO!...

Suave sono!... Vi em sonho, em fantasia,
Certa dama que o meu desejo despertava,
E era o desejo tão ardente que matava,
E há doze anos ou mais a dama eu não revia.

Minha alma, ante a visão, de gozo se imbuía,
E o Éden, subitamente, as portas descerrava:
E anjos nas nuvens, eu, que quase descorava,
Com a pura manhã do mundo, percebia.

A aurora me desperta, e os raios deslumbrantes
Do sol me açoitam onde a dama se escondeu,
Com a graça, a beleza, e a linha de brilhantes,

O universo reluz... Mas a alma escureceu,
Pois um sonho tão-só vislumbrara este amante,
Que ao duro despertar, de dor desfaleceu!...

Emanuel Ben Salomão de Roma (séc. XIII)

          Tradução de Renata Cordeiro