quinta-feira, 3 de abril de 2014

CORRESPONDÊNCIAS



CORRESPONDÊNCIAS

A Natureza é templo assentado em pilares
Vivos, de onde provêm palavras intrigantes;
É dos símbolos, bosque a observar viandantes,
Lançando-lhes os seus coniventes olhares.

Como ecos que no vasto espaço se confundem
Até à tenebrosa e abismal unidade,
Enorme como a noite e como a claridade,
Os perfumes, os sons e toda cor se fundem.

Há cheiros frescos quais a carne dos infantes,
Verdes, quais prados, têm o dulçor do oboé
– E há corrompidos, há preciosos, triunfantes,

E duma infinidade estão já expandidos,
Qual o âmbar, mais o incenso, o almíscar e o aloé
Que cantam o transporte, o da alma e o dos sentidos.

Charles Baudelaire (1821-1867)

Tradução de Renata Cordeiro