domingo, 6 de abril de 2014

E QUANDO A TERRA FRIA...



E QUANDO A TERRA FRIA...

E quando a terra fria
hospedar o meu corpo,
que valerá que deixe
aqui renome eterno,
que me erija um amigo
sepulcral monumento,
que escreva a minha vida,
que publique os meus versos,
que damas e galantes,
de crianças a velhos
me leiam, e me chorem
meus parentes e afetos?
Essa fama, essa glória,
a que aspiram mil néscios,
não me dá, quando vivo,
vaidade nem consolo.
Não quero eu outra fama,
outra glória não quero
senão que se ouça em boca
de crianças a velhos,
de damas e galantes,
de parentes e afetos:
“Esse homem amou Laura,
e Laura é que o matou.”

Tomás Iriarte (1750-1791)

Tradução de Renata Cordeiro