terça-feira, 22 de abril de 2014

ODE À ALEGRIA

O Beijo, de Klimt (1908)

ODE À ALEGRIA

Meus amigos, em vez desses sons, entoemos
Aquele que nos deixe o peito alegre e pleno!
Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Alegria, divo fulgor,
Formosa filha do Eliseu,
Entremos, ébrios de calor,
Nesse templo sagrado teu!
Reúne a tua encantação
O que a moda, estrita, separa,
Os homens se tornam irmãos,
Onde cada asa tua pára.
Que aquele que conseguiu ter
Amigo fiel e leal,
Ou que achou formosa mulher,
Se junte à alegria geral!
E quem só uma alma disser
Que é a sua felicidade!
Quem, aos prantos, não o puder,
Que abandone esta sociedade.
De alegria ebriem-se os entes
Nos seios da grande Natura.
Os bons e até os malevolentes
Sigam-lhe a trilha rosa e pura.
Ela nos dá beijos e o vinho,
O amigo que à morte se adiante
A volúpia ao verme daninho,
E o querubim a Deus perante!
Os sóis traspassam, que alegria,
Do céu, a abóbada de glória!
Segui, irmãos, a travessia,
Como os heróis rumo à vitória!
Ó multidões, vos abraçai!
Que siga pelo mundo o abraço!
Acima, bem no alto, no espaço,
Deve residir um bom Pai!
Ó multidões, desistis já?
Mundo, procurai passo a passo
O Criador. ­–  Bem no alto, no astro,
Para além, Ele habitará!

Frederich von Schiler (1759-1805)

Tradução de Renata Cordeiro