terça-feira, 15 de abril de 2014

OS SAPATOS VERMELHOS





OS SAPATOS VERMELHOS

 Hans Christian Andersen, 1835 : “uma menininha muito orgulhosa dos seus novos sapatos vermelhos decide usá-los sempre, até mesmo na igreja, onde não é conveniente. Não conseguirá tirá-los nunca  mais, e terá de andar, correr, dançar, até o dia em que, extenuada, irá à procura do carrasco para que ele lhe corte os pés”, p. 248
“O objeto que muda a vida”. In: Andersen, H. C. Contos e histórias. São Paulo, Landy, 2004. Concepção e tradução (Introdução, seleção, tradução, notas, apêndice, imagens do miolo originais de Vilhem Pedersen e Lorenz Frolich, imagem da capa A Dança de Alfons Mucha, 1848 ) por Renata Maria Parreira Cordeiro, esta que escreve.
Esta é uma das muitas histórias ou contos não escritos para crianças por Andersen (quase todos o são,  parece contraditório, mas não o é).  Segundo as suas próprias palavras “Minha vida é um lindo conto, marcado pela sorte e pelo sucesso”.
A publicação (de 1971 a 1977) da sua vasta correspondência, do seu Diário, Agenda, Observações e Caderno de anotações fornece ideias extraordinariamente diversas da sua vida, obra e complexa personalidade.
Uma dessas ideias é a de que quando Andersen tinha a intenção de escrever um conto ou história, não pensava primeiro nas crianças, mas nos adultos. [...] por vezes, ele chegava até mesmo a se irritar quando queriam levar crianças para ouvi-lo, e poucos meses antes de morrer, se indignou contra uma estátua sua feita pelo escultor Saaby, em que ele está cercado de crianças: “Eu disse (...) que os meus contos eram, tanto para os adultos quanto para as crianças, e que estas últimas compreendiam somente as personagens secundárias, e que só as pessoas maduras viam e compreendiam tudo” (Diário, 4 de junho de 1875).
Voltando à la vache froide, o que o escritor quer mostrar em Os Sapatos vermelhos, tanto na sua época quanto agora, é: há tempo e lugar para tudo nesta vida. Os lugares estão explícitos. O tempo* Calma, uma coisa de cada vez, um dia após o outro, senão se pode pagar um preço, que no caso, é logo cobrado e altíssimo. A menina tem 5 anos, é vaidosa e quer calçar os seus lindos sapatos. Tem seu desejo realizado e não consegue jamais parar, o que lhe custa a vida.
No cinema há esta versão de 1948, em que a história é transposta para uma jovem, que deseja o sucesso a qualquer preço. Apologize! sorry, dear, it´s too late.  Dançando, não adianta mais pedir desculpas, é tarde, ela morre.
Há uma versão recente, coreana, classificada como filme de horror. A mulher fica obcecada pelos sapatos e sai que nem uma louca atrás deles, ainda que estejam nos seus pés. Sonho e realidade, no filme, se mesclam.





Renata Maria Parreira Cordeiro
Aqui na Galeria fiz uma Apologia ao filme com o Apologize. O tempo da alegoria de Os Sapatos Vermelhos é o infantil, não importa a idade.