terça-feira, 8 de abril de 2014

SEM PALAVRAS



SEM PALAVRAS


Mil vezes com palavras de doçura
minha paixão a ti quase confio;
que palavras porém acho e te envio,
sem a profanação dessa impostura?

Penetre em ti calada esta ternura,
sem deter-se no mínimo desvio,
como raio de lua em claro rio,
como aroma sutil em aura pura.

Abre-me a alma silenciosamente,
e deixa-me que inunde satisfeito
tuas terras de amor e encanto cheias...

Fiel idéia, animo a tua mente;
afeto doce, vivo no teu peito;
chama suave, corro em tuas veias.

Adelardo López de Ayala (1828-1879)
Tradução de Renata Cordeiro