domingo, 11 de maio de 2014

ODE À CASSANDRA***********



ODE À CASSANDRA***********

Vejamos, meu bem, se a tal rosa
Que de manhã abriu, formosa,
Ao sol o vestido vermelho,
Não perdeu à tarde o esplendor
As pregas de encarnada cor,
E o tom ao vosso tão parelho.

Ah! Vede como em pouco tempo,
Meu bem, veio-lhe o tombamento,
E o viço perdeu, todavia!
Como é madrasta a Natureza,
Porque tal flor perde a beleza
E não vive sequer um dia!

Assim, meu bem, eis a verdade:
Enquanto estais na flor da idade,
Nos primeiríssimos verdores,
Colhei, colhei a juventude:
Porque também a senectude
Há de ofuscar vossos fulgores.

Pierre de Ronsard (1525-1585)
Trad. da Renata Cordeiro

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