quarta-feira, 7 de maio de 2014

UM CONTO DE AMOR***************



UM CONTO DE AMOR******************







Numa noite fria demais num lugar onde eu ia sempre, lá estava ele pela primeira vez. Vimo-nos. Aquecemo-nos. Continuamos indo e vindo durante uns meses, porque o lugar onde nos conhecemos era mais ou menos a meio caminho entre as nossas cidades.

Sem nada, só com a vontade de sermos felizes, resolvemos virar a vida do avesso e mudei-me para um verdadeiro lugar estranho, quase tão estranho como o amor que lá me levou. Justo eu que sempre disse que nunca sairia de Sampa. Devagar, entre cabeçadas, vivendo e aprendendo, vou me habituando ao nosso lugar, em que tenho que acreditar em mim porque há alguém que o faça, porque há alguém que seja capaz de virar o mundo ao contrário para me fazer sorrir, porque nunca mais me senti sozinha.

Triste? Algumas vezes, nos dias menos bons. Mas até nesses, nos dias de gritos e choro, é ele quem me ouve, respira fundo, passa-me a mão no cabelo, beija-me, ama-me. Entre viagens a cidades românticas como Paris e Veneza, foi em nossa casa, num dia em que estava doente, que ele decidiu declarar-se e, de joelhos e com um anel, disse-me *eu te amo* de um jeito e de jeito que não teve jeito, fiquei.

Porque o amor é isso mesmo. Momentos bons, momentos menos bons, em que o que importa é estarmos juntos e termos quem cuide de nós. Hoje sou eu que estou doente e ele saiu, foi comprar pastilhas para a garganta.

Se o nosso amor é perfeito? Um não redondo, e sempre me pego pensando por que me entreguei a essa maravilha que ninguém entende. Mas depois olho para nós, para o caminho que percorremos os dois que tantas vezes se deveu à força que demos um ao outro. E olho para tudo o que temos, tantos desejos e vontades e *este grande amor que nos une*.









@ Renata Cordeiro