sábado, 12 de julho de 2014

ROMEU E JULIETA – TRÊS VERSÕES: 1936, 1968, 1996





ROMEU E JULIETA – TRÊS VERSÕES: 1936, 1968, 1996


Os filhos de duas famílias inimigas se apaixonam e se casam secretamente. É preciso realmente fazer a sinopse de Romeu e Julieta?

A peça Romeu e Julieta é sobre dois amantes bastante jovens, que não compreendem o mundo, e um grande número de pessoas mais velhas com quem os jovens podem manter restrito contato (e que também não compreendem o mundo). Julieta tem treze anos, ao passo que a idade de Romeu não é dita, mas com certeza ele está na adolescência. Os sentimentos de ambos são verdadeiros, mas eles simplesmente não sabem o que fazer com esses sentimentos. Por que não fugir em vez de tentar um falso suicídio? Porque eles ainda não abandonaram a infância. Por que o frei Lourenço lhes dá aquele horrível conselho? Porque ele, com a convicção de que agir lenta e calmamente é o melhor caminho, esqueceu-se completamente da juventude. Não se crê em ninguém com cerca de trinta anos? A peça sugere que não se deve confiar em ninguém com mais de trinta anos.

1936

A adaptação da peça para o cinema de 1936, época de uma geração do entre-guerras, não faria sentido algum se os papéis-título não fossem dados à esposa do não tão jovem produtor Irving Talberg, Norma Shearer, de 34 anos, como Julieta, e Leslie Howard como Romeu, de 43 anos.
É engraçado ver esses atores de meia idade representarem como colegiais. Mas ainda mais ridículo é o amigo de Romeu, Mercúrio, interpretado por John Barrymore.
Quando Mercúrio (na peça) desafia Teobaldo, é como um garoto cujo orgulho foi ferido. O filme rasteja e tem todas as insinuações sexuais possíveis, mas essas e outras não interessam, pois o elenco basta para afundar o filme.
O filme interessa apenas como uma excentricidade.

1968

Já o filme de Zeffirelli, de 1968, é bem mais fiel à peça. O diretor escolhe um Romeu e uma Julieta bem novos. Olívia Hussey tem 15 anos e embora haja uma diferença entre 13 e 15 anos, a coisa dá certo. Zeffirelli põe a paixão da peça no filme. O romance é crível, excitante e de partir o coração.
Infelizmente, é lento. Zeffirelli cai na armadilha de respeitar as palavras a ponto de abandonar o ritmo da história. Assim como torna a história longa, corta importantes diálogos e cenas. Isso elimina as piadas, o que lamentável. Mas a paixão é o bastante para tornar esse filme digno de ver.

1996

Baz Luhrmann modernizou a peça para o seu Romeu + Julieta de 1996. A cidade moderna foi bem escolhida, não o seria se a peça não tivesse sido filmada em outro lugar. Os atores são um pouquinho velhos (Claire Danes tem 17 anos e parece mais velha). Para entreter os espectadores, diretor e atores – Leonardo di Caprio e Claire Danes – fazem o seu melhor a partir da história com explosões e pás de helicópteros, mas tudo isso poderia ser perdoado. Estaria tudo bem se o público conhecesse a peça, mas seria bom se os atores dessem algum sinal de que também a conhecem. Exceto Pete Postlethwaite (Frei Lourenço), ninguém mais parece saber o que as palavras que eles proferem querem dizer.
Só quem não conhece a história, a não ser por essa versão, talvez possa entender o filme.
A quem for ver o filme, sugerimos que leia a peça antes para poder preencher as lacunas.