quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A CASA DO LAGO


A CASA DO LAGO


Estados Unidos, 2006
Direção: Alejandro Agresti
Roteiro: David Auburn, Eun-Jeong Kim (diretor do filme sul-coreano “Siworae”)
Com: Keanu Reeves, Sandra Bullock, Christopher Plummer, Ebon Moss-Bachrach, Dylan Walsh, Shohreb Aghdashloo
Título Original: The Lake House
Drama, Romance

CURTA

Kate Forster (Sandra Bullock) é uma médica solitária que mora numa casa à beira de um lago. Ela passa a trocar cartas de amor com o novo morador da residência, o arquiteto Alex (Keanu Reeves). No entanto, ambos percebem que existe um lapso de tempo que atrapalha o "relacionamento" entre os dois. Percebendo a aura de mistério em torno da troca de cartas, eles tentam driblar esse problema para que, finalmente, chegue a hora certa para que se amem. Remake de um filme sul-coreano chamado “Siworae”, A Casa do Lago marca o reencontro de Sandra Bullock e Keanu Reeves no cinema, exatos doze anos depois de terem lançado o mega-sucesso “Velocidade Máxima”, em 1994. E é bom dizer que esse novo trabalho dos dois é um grande filme, daqueles romances sérios de fazer chorar que são feitos poucas vezes com qualidade em Hollywood. Não é o tipo de comédia romântica que quase toda semana chega aos cinemas, mas sim o romance na sua forma bruta e clássica, para ir com um acompanhante, comprar um saco de pipocas na entrada e, claro, não esquecer o lenço de bolso. Bullock é Kate Foster, uma médica recém-formada que se muda para a cidade grande para trabalhar em um hospital, depois de passar alguns anos morando numa casa do lago. Reeves é Alex Wyler, um arquiteto de talento que tem problemas com o pai e é o novo morador da casa. Através de cartas deixadas na caixa de correio do local, os dois se conhecem e passam a manter um contato, até que rola um interesse mútuo, que não poderá ir à frente por um simples detalhe: ele vive no ano de 2004, enquanto ela está em 2006. Preciso no modo de apresentar a distância espaço-temporal entre os dois, sem nunca deixar que a situação pareça ridícula ou inverossímil, o diretor Alejandro Agresti faz, no seu primeiro filme em língua inglesa, um trabalho preciso e tocante: não se limitando a ser apenas uma historinha de amor entre os dois, o filme aproveita para discutir, através do ótimo roteiro de David Auburn, coisas do dia-a-dia de qualquer pessoa. Entregando-se de forma sutil aos clichês do gênero, o filme tem o seu diferencial: ao contrário dos famosos romances impossíveis, Kate e Alex podem ficar juntos, desde que um deles saiba como superar essa distância temporal de dois anos que os separam. Isso é interessante pelo simples fato de que passamos a torcer pelos dois, mesmo sabendo que tais coisas simples do dia-a-dia podem impedir que esse encontro, marcado dois anos antes, aconteça. É um filme feito para chorar mesmo, mas que tem a coragem de ser um pouco menos convencional na sua estética, ao apresentar a história sem achar que o público é tolo e que tem toda a estrutura clássica de tragédia, ousando ser distinto e eficiente na conclusão. Bullock, mesmo nos seus quarenta e poucos anos, continua bonita (haja Botox!) e convence fazendo uma personagem alguns anos mais nova, e até a fala presa de Reeves está menos gritante aqui, algo que vem melhorando a cada filme do ator, que parece soltar-se cada vez mais. O elenco ainda conta com Christopher Plummer sem papel que lhe dê muito destaque, mas a sua presença de tela é um fator fortíssimo para dar mais sentido artístico da obra, já que ele dá um show no pouco tempo que tem e arrebenta como o pai amargurado de Alex. Há cenas feitas para chorar mesmo, extremamente bem filmadas (linda fotografia de Alar Kivilo), enfim, um romance para se ver a dois e que tem totais condições de marcar presença na História do Cinema não só pela falta de concorrência do gênero, que lança um bom filme a cada longos anos, mas também pelos seus méritos discutidos acima, o que o faz ter forças próprias para uma bela sessão de bom cinema romântico. Mão há quem não se encante com essa deliciosa história que se passa num instante e se não se preocupar com a noção de tempo, que no filme não é retilíneo, mas simultâneo, ou seja, todas as coisas do mundo, de qualquer época ocorrem simultaneamente. Esse é o questionamento maior, filosófico, do filme, que poucos podem alcançar. Mas isso pouco importa, porque o filme émaravilhoso, como um grande romance obrigatoriamente deve ser.



ISSO JAMAIS ACONTECEU ANTES

Paul McCartney

Eu tenho certeza
De que isso jamais me aconteceu antes
Conheci você e agora tenho certeza
De que isso jamais aconteceu antes

Agora vejo
Que esse é o caminho que eu supunha ser
Conheci você e agora vejo
Que esse é o caminho que deveria ser

Então, venha comigo
Agora podemos ser o que queremos ser
Esse é o caminho que deveria ser

Esse é o caminho que deveria ser
Esse é o caminho que deveria ser dos amantes
Eles não o deveriam percorrer sozinhos
Não é bom quando se está sozinho
TRADUÇÃO DE RENATA CORDEIRO