quinta-feira, 14 de abril de 2016

AFINIDADE


AFINIDADE


Não é o mais brilhante,
Mais é o mais sutil,
 Delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência,
Os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.
Quando há afinidade,
Qualquer reencontro retoma a relação,
O diálogo, a conversa,
O afeto, no exato ponto
De onde foi interrompido.
Afinidade é não haver
Tempo mediante a vida.
É a vitória do adivinhado sobre o real,
Do subjetivo sobre o objetivo,
Do permanente sobre o passageiro,
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro,
Mas quando ela existe,
Não precisa de códigos
Verbais para se manifestar.
Ela existia antes do conhecimento,
Irradia durante e permanece depois que as
Pessoas deixam de estar juntas.
Afinidade é ficar longe,
Pensando parecido a
Respeito dos mesmos fatos que
Impressionam, comovem, sensibilizam.
Afinidade é receber o que vem
De dentro com uma aceitação
Anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com...
Nem sentir contra, sem sentir para...
Sentir com e não ter necessidade de
Explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.
Afinidade é um sentimento singular,
Discreto e independente.
Pode existir a quilômetros de distância,
Mas é adivinhado na maneira de falar,
De escrever,
De andar,
De respirar...
Afinidade é retomar a relação
No tempo em que parou.
Porque ele [tempo] e
Ela [separação] nunca existiu.
Foi apenas a oportunidade dada/tirada
Pelo tempo para que a maturação
Pudesse ocorrer, e que cada
Pessoa pudesse ser cada vez mais.

Artur da Távola